sexta-feira, 31 de outubro de 2008

por isso eu te liguei


Quando o abraço era mais apertado
Quando as ligações eram diárias -e demoradas
Quando a dor era compartilhada
Quando era a causa do riso, que causa? sem motivo..
Quando as grosserias soavam brincadeiras
Quando o assunto -bobo, deles- não precisava ser chamado
Quando as brigas não duravam um dia
Quando estava ao alcance das mãos
Quando a saudade apertava mais forte
Quando a cara amarrada não resistia ao riso fácil
Quando a presença se sentia todo o tempo
Quando os programas eram só deles
Quando não precisava chamar, era só aparecer -com um filme, uma pipoca, uma fofoca...

Ela era Beatriz, Julieta, Marília.
Ele era Dante, Romeu, Dirceu.
Quanto tempo faz?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Nossa vida era mais simples de viver!

[sem compromissos com a veracidade histórica]
Será que era assim, mais simples, pelo fato do Capeta ser ainda um moleque?
Sou do tempo em que bastava levar um real que se lanchava muito bem na "Cantina ->", do tempo que o Pingo d'ouro custava cinquenta centavos e a pipoca um real.
Sou do tempo que as crianças brincavam de Barbie e não beijavam na boca, do tempo que se cantava Chiquititas e Sandy, do tempo que não se sabia o que era funk e que "meninos?? blééhrg".
Sou do tempo que o Flamengo era campeão e o Fluminense jogava na segunda divisão. Do tempo que o Brasil era a melhor seleção do mundo, o Zico estava por aqui e o Japão estava mais ocupado com 'modernidades'.
Sou do tempo em que se colecionava papéis de carta e não scrap, se brincava de (vá lá, não vou dizer pipa nem bolinha de gude, ok, mas uma coisa melhor) jogar Mário e Sonic até os dedos doerem e não RPG's modernos e com altos gráficos que não acrescentam nada a sua saúde mental.
Sou do tempo em que só se dizia 'eu te amo' quando se amava e se realmente amasse o casório era certo.
Sou do tempo em que se arranjava tempo para ter tempo para ser feliz.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cooles ou O surto do adolescente para ter estilo e ser aceito por grupinhos idealizados

Repare, quando se tem 14 anos e o mundo parece errado, injusto, careta e encantadoramente enorme -pronto pra ser descoberto, se procura um estilo.
Um estilo para entrar em algum super-necessário grupinho, que é provavelmente abandonado lá pros 16, quando você se interessa por outro grupinho.
É o que dizem.. Você tem ou não.
E não é você quem o faz, ele que faz você. Cada mínimo pedacinho de você.
You're gonna find yourself somewhere, somehow.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

sobrevivendo a base de groselha

Alimentação de qualidade por um real?? Que idéia furaada! Quem vai pagar um real quando pode pagar SETENTA CENTAVOS?
Eu que não...
Eu prefiro comer abobrinha com groselha no emocionante Bandejão (sim, com maiúscula, por favor). Digo emocionante porque nada me parece uma descrição mais justa...
É uma experiência pela qual todos deveriam passar na vida.. O prazer da enorme fila cheia de jovens estranhos, entregar o papelzinho azul pro moço com um humor super bom, pegar o bandejão com cheiro de alcool e ver quase um quilo de arroz ser despejado artisticamente EM CIMA do feijão. Só acho que deveríamos ter direito a mais copinhos de groselha, ou a encher uma canequinha (levada de casa enrolada naquela toalhinha que tem o nome bordado) com o mágico líquido rosa.
De qualquer jeito, nada é perfeito... o Bandejão continua provocando fortes emoções e a UFF continua sendo rusticamente genial! =)

sábado, 18 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

eu estou bem! só tenho dificuldades em ser...

O que o tio Aurélio tem a dizer sobre isso é muito interessante! [Ser: 5.estar, ficar, tornar-se; 6.pertencer a, provir, proceder, ser próprio de; 9.ter existência real existir; 12.existência, realidade; 13.a natureza íntima de uma pessoa]
Reparem como o melhor fica pro final. E vamos por partes, como diria Jack...
Ser é existir - oh, tio Aurélio!, disso a gente já desconfiava!;
Ser é pertencer a, tornar-se, ser próprio de - é por aíí, estamos quase chegando;
Ser é a natureza íntima de uma pessoa - tá, chegamos! era aqui que o tio Shakes queria tocar e, não se sabe por quaais diabos, eu também.
Você é, você é de algum lugar. De lá, de cá, de longe, de perto. De alguma família, de alguma natureza, de algum signo. Você pertence a comunidades invisíveis (e agora a comunidades online).
Tá, você é isso e é aquilo e essa parte é fácil. Dados físicos, dados acadêmicos, dados profissionais, dados concretos.
Agora... e os emocionais? Como você é por dentro? Você quer ter esse trabalho todo de ser? Vale a pena ser? Vale a pena lutar contra a maré para ser alguma coisa pensante e ativa, é melhor deixar-se levar e ser um nada ou o melhor mesmo encontrar a felicidade no arrepio frio da navalha nos pulsos? Essa felicidade é real? Essa é a melhor solução? Existe uma felicidade válida depois desse ato desesperado? Você quer isso?
A dificuldade em ser é a única que consegue superar a dificuldade em querer. E elas andam quase sempre juntas.
O que você quer ser quando crescer? Podemos escolher o que queremos ser? Como escolher isso? Baseados em que? Com a finalidade de que?
O que você quer agindo assim? Você quer casar comigo? Você quer ter filhos?
Quer isso ou quer aquilo? É isso ou é aquilo?
Querer não é poder e viver não é ser.
Shakespeare não sabia o que dizer sobre isso. Tentou e tentou e fez (genialmente) a parte dele.
Clarice tentou com os insanos questinamentos de GH e chegou bem perto.
E é assim, pegando um pouco de cada gênio que eu vou construindo a minha idéia de ser.
Tudo isso enquanto sou, mesmo sem saber.

muito mais

A gente cresce pensando que 'a boa' de crescer é ter idade. Idade pra beber, idade pra fumar, idade pra entrar em boates, idade pra fazer tatuagem, idade pra entrar em filme para maiores de 16. Chegamos aos 16 e não tem graça nenhuma, ainda existem os filmes para 18 anos. Chegamos lá também e junto com as portas dos cinemas, milhões de portas se abrem também. E a responsabilidade aparece em forma de 'responder pelos seus atos'... Agora não é mais caso de diretoria e suspensão, amigo.
Ok, mas ainda existe o marco dos 21. Chegamos lá também! Mais rápido do que poderíamos soletrar maturidade (logo, quase nada dela ainda por aqui). Alcançar os 21 é o ponto supremo, a última parada. É acordar agora ou chutar o balde. Acabou a moleza, não dá mais pra empurrar com a barriga. Dos 21 pra cima é só trabalho, contas e outras coisas legais desse tipo. -Sim, sobra tempo pra um choppinho, mas pode se tornar bastante raro.
Mentira, tudo isso é mentira. A gente cresce e isso é genial. Entrar no cinema com 16 anos e dois dias é genial, fazer a sua primeira tatuagem com a identidade coçando na mão é genial, tomar o primeiro porre 'respondendo pelos seus atos' é genial.
A responsabilidade (leia também realidade) vem como um soco na boca do estômago, mas o amor (leia também ilusão) vem como um super-poderoso analgésico.
A balança está sempre se equilibrando, e isso é 'a boa' de se crescer.
A vida é muito mais que 'sexo, drogas e róquenrrôu' (não que não seja isso, nem que eu não recomende -ou que recomende, ok?), mas em descobrir cada coisa boa e colocar a mão na cabeça depois de cada vez que ela encontrar a parede é que está escondida a glória! (oi vó)

Mentiraa! Tudo falado aqui é uma incrível mentira, afinal como eu posso saber? Tenho apenas 12 anos.

domingo, 12 de outubro de 2008

Nothing is real

Algumas pessoas são como as estrelas cadentes. Não são realmente estrelas, não ficam ali brilhando milhões de anos. Passam pela vida das pessoas com uma luz que, se não é própria das estrelas, vem do fogo do atrito, luz diferente, luz intensa e luz tensa.
As estrelas fixas são importantes e magníficas. Estão ali todas as noites, as boas e as ruins. Brilhando sempre, dispostas a nos fazerem felizes gratuitamente.
As estrelas cadentes são incrivelmente deslumbrantes [deslumbrar: turvar, cegar pelo brilho demasiado, causar assombro, fascinar ou seduzir], brilham pela vida inteira no pequeno tempo que estão presentes. Passam, mas não são esquecidas. Marcam, deixam alguma coisa rara e levam sempre com elas algo especial.
Não são estrelas melhores nem piores, são estrelas diferentes.
Assim são as pessoas, diferentes, diferentes em suas semelhanças, semelhantes em suas diferenças.
E ela era assim também. Ligeiramente egoísta, ligeiramente prepotente, ligeiramente desligada, ligeiramente preocupada, ligeiramente antipática, ligeiramente sensacional.
E não tinha noção de quanto era cadente, de como brilhava um brilho mágico, daqueles que doem de tão fugazes.
Por não ter noção, achava que tinha que ficar, que tinha que brilhar pra sempre, que tinha que ser uma estrela de verdade. Sofria tentando ser constante quando transpirava inconstância, sofria por não conseguir dar o que (supostamente) as pessoas esperavam dela.
Mas era, antes de cadente, uma estrela. Em toda a sua, encantadoramente estranha, beleza.
E as pessoas não se importavam com a cadência, pois amavam a estrela.

'Nothing is real
And nothing to get hung about'

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

como pregos em almas

o prego ainda está ali,
(ali onde costumava brilhar o quadro)

como uma cicatriz sofrida pelo fim.
(o fim do amor que, por ali, costumava transbordar)

Par Coeur


Os fantasmas são afastados. Os lamentos, que antes eram segredados ao pé do ouvido, agora são meros ecos de um passado dolorido.
Parecia que não ia parar de doer, os meses passaram corridos, se arrastando, mas não se sabe mais se doeu ou não, ou o quanto doeu. Não se sabe se esses meses foram dias ou anos. O inesperado novo vai, aos poucos, ocupando o lugar do exausto antigo. Vai secando as lágrimas com beijinhos, substituindo a melancolia por sorrisos espontâneos.
Mas não vem fácil assim, porque "o coração tem razões que a própria razão desconhece". A exaltação sofre com os receios. Os sorrisos, com as lembranças. E o amor espera quietinho pra ver o que acontece, espera quietinho a vez dele entrar de novo em cena e fazer os pés se afastarem do chão, espera quietinho que o quem sabe futuro acerte os ponteiros com o inesquecível passado (justiça seja feita, o passado não foi terrível como está pintado nas telas espalhadas pela casa).
Mas como a razão não existe aqui e temos todos problemas de memória, apostamos de novo todas as fichinhas e seja o que os deuses quiserem.