O livro de Jó é, de longe, o melhor livro que li até agora na Bíblia. Eu sei que o que importa de verdade no livro é a demonstração de fé de Jó, mas como eu não me importo muito com o que importa de verdade, fico cismando com a desnecessidade de tudo aquilo. O Diabo, como sempre, é uma figura irresistível. Deve ser o personagem mais interessante que o homem já inventou, talvez depois apenas do velho príncipe Bolkonsky em Guerra e Paz, e com certeza o único com senso de humor na Bíblia. Acho engraçadíssima a seriedade quadradona de Deus e sua pequena dificuldade em entender as piadas do Diabo e tal. Jó, por exemplo, era ultra-fiel a Deus e todo mundo sabia disto. Deus sabia. O Diabo sabia. E o Diabo só fez uma piadinha inofensiva sobre isto, que perto das minhas piadas iria parecer alguém tentando ser engraçado no GNT. Ele diz algo do tipo "Jó é fiel, mas bate nele com uma ovelha pra Você ver". E Deus leva excessivamente a sério, não percebendo o tom irônico do Diabo. É então que manda dar umas porradas no Jó só pra ver qual que é a do coitado. Sem brincadeira, dá vontade de sacudí-Lo gritando "Era uma piada, porra! Uma piada, you bloody freak!"
Depois que matam toda a família do Jó e destroem tudo que ele tem só pra Deus ver qual que é a parada, tudo é devolvido em dobro ao Jó e, ao que parece, geral fica feliz com esta solução - não me ficou claro se Deus duplica os parentes também, mas imagino que nem Ele seria capaz da crueldade suprema de duplicar uma sogra, acho. E, bom, geral fica feliz porque o Diabo ainda não tinha inventado os danos morais. Um bom advogado - outra invenção muito curiosa do Diabo - e Deus perderia todo o universo nessa brincadeira. Precisava mesmo?
De qualquer forma, o livro de Jó rendeu pelo menos a melhor cantada já feita no cinema de toda a história, em Manhattan, de Woody Allen, que ele diz à Mariel Hemingway que ela é a resposta de Deus para Jó:
- You're God's answer to Job. You would have ended all argument between them. He'd have said "I do a lot of terrible things but I can also make one of these." And Job would've said "OK, you win."
(Você é a resposta de Deus para Jó. Você acabaria com toda a discussão entre eles. Ele diria "Eu faço muitas coisas terríveis, mas posso também fazer isto" - e aponta para a garota. E Jó diria "Ok, você ganhou".)
sexta-feira, 18 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Com Bic vermelha
"Oi"
"Olá"
Risos nervosos
Palavras soltas -doces
Conversas sobre tudo -e nada
Bilhetes
Corações rabiscados -com Bic vermelha
Indiretas
Diretas
Beijos
Abraços -apertaados
Carinhos
Apelidos
Amor
Planos
Conchinha
Presentes
Saudades -desesperadas
Beijos
Ciúmes -com e sem sentido
Brigas
Tempo -ahm?
Saudades
Beijos
Brigas -piores
Palavras -duras
Fotos rasgadas
Mágoas
"Some!"
"Com prazer!"
"Olá"
Risos nervosos
Palavras soltas -doces
Conversas sobre tudo -e nada
Bilhetes
Corações rabiscados -com Bic vermelha
Indiretas
Diretas
Beijos
Abraços -apertaados
Carinhos
Apelidos
Amor
Planos
Conchinha
Presentes
Saudades -desesperadas
Beijos
Ciúmes -com e sem sentido
Brigas
Tempo -ahm?
Saudades
Beijos
Brigas -piores
Palavras -duras
Fotos rasgadas
Mágoas
"Some!"
"Com prazer!"
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Mimitação
Eu acho que Shakespeare era criativo o suficiente para não precisar ser o Romeu para criar Romeu e Julieta, mas nada impede que ele tenha sido, ou visto ou ouvido uma história real de Romeu e Julieta.
Dramático demais, sim. Imagine, morrer de amor. Morrer por amor. Não culpo Shaks nem tampouco a pobre Julieta apaixonada, mas aposto que umas Lisbelas da vida se inspiraram nessa idéia nada inteligente. Até que ponto Shaks imitou a vida e a vida imitou a sua Julieta?
A inspiração da arte se misturou com a mágica da vida. A gente se identifica com as músicas melosas e também com as outras, (quem nunca achou que o Lulu Santos ou o Marcelo Camelo estavam cantando só pra você pode me dar uma cacetada na cabeça) mas eles, em seu momento inspiração-máxima podem ter pensado naquela dorzinha adolescente que ainda incomoda, naquele sobrinho que anda triste ou naquela história que a sua esposa contou ontem.
O ponto é: até que ponto nossos sentimentos criam os personagens e até que ponto os personagens criam nossos sentimentos.
Pensar que muita gente se identifica com "Eduardo e Mônica" deixa a nóia de que, caramba, nós somos ridiculamente parecidos. Existem muitos Eduardos, Mônicas, Romeus, Julietas, Marias, Josés, Capitus e Bias inspiradores (e com histórias tristemente repetitivas) e por isso músicas e romances nos atingem em cheio ou existem muitos Eduardos e Capitus que se atingem porque ouvem muita música e lêem muitos romances?
Nós manipulamos os dramas do romance vivendo nossos dramas ou vivemos nossos dramas baseados nos grandes romances?
Quando paramos de imitar e passamos a ser imitados? Quando paramos de ser imitados e passamos a imitar?
Essa é a pergunta que não quer calar. E eu que não vou tentar calá-la. Eu deixo os Eduardos e as Capitus gritando como loucos e sofrendo como apaixonados por aí. Nem ligo. Nós seremos sempre Julietas perdidas e vocês Bentinhos confusos. É a vida. É a arte.
É a arte da vida?
Dramático demais, sim. Imagine, morrer de amor. Morrer por amor. Não culpo Shaks nem tampouco a pobre Julieta apaixonada, mas aposto que umas Lisbelas da vida se inspiraram nessa idéia nada inteligente. Até que ponto Shaks imitou a vida e a vida imitou a sua Julieta?
A inspiração da arte se misturou com a mágica da vida. A gente se identifica com as músicas melosas e também com as outras, (quem nunca achou que o Lulu Santos ou o Marcelo Camelo estavam cantando só pra você pode me dar uma cacetada na cabeça) mas eles, em seu momento inspiração-máxima podem ter pensado naquela dorzinha adolescente que ainda incomoda, naquele sobrinho que anda triste ou naquela história que a sua esposa contou ontem.
O ponto é: até que ponto nossos sentimentos criam os personagens e até que ponto os personagens criam nossos sentimentos.
Pensar que muita gente se identifica com "Eduardo e Mônica" deixa a nóia de que, caramba, nós somos ridiculamente parecidos. Existem muitos Eduardos, Mônicas, Romeus, Julietas, Marias, Josés, Capitus e Bias inspiradores (e com histórias tristemente repetitivas) e por isso músicas e romances nos atingem em cheio ou existem muitos Eduardos e Capitus que se atingem porque ouvem muita música e lêem muitos romances?
Nós manipulamos os dramas do romance vivendo nossos dramas ou vivemos nossos dramas baseados nos grandes romances?
Quando paramos de imitar e passamos a ser imitados? Quando paramos de ser imitados e passamos a imitar?
Essa é a pergunta que não quer calar. E eu que não vou tentar calá-la. Eu deixo os Eduardos e as Capitus gritando como loucos e sofrendo como apaixonados por aí. Nem ligo. Nós seremos sempre Julietas perdidas e vocês Bentinhos confusos. É a vida. É a arte.
É a arte da vida?
sábado, 21 de junho de 2008
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Quanto tempo é suficiente?
O tempo sempre fascinou com aquele fascínio que amedronta.
"O tempo passa rápido demais!" dizem os que querem trabalhar mais, se divertir mais, amar mais.
"O tempo demora muito a passar!" dizem os que estão cansados do trabalho, da aula, da solidão.
O tempo amedronta na hora do adeus e fascina na hora de um novo 'olá', mostrando que, vai, uma semana (ou quem sabe dois anos) não é tanto tempo assim.
Dois anos não é tanto tempo assim?
Dois anos é tempo pra caramba pra ficar longe de quem se ama.
Dois anos não é taanto tempo assim pra se conhecer alguém.
Dois anos é quase nada para quem faz faculdade de medicina.
Dois anos é tempo que passa rápido demais. Mal as promessas de ano novo são feitas pulando sete ondinhas e já estamos nós de novo no Natal.
E uma semana?
Muitos diriam que dois anos é 'um tempão' e uma semana não é nada.
Não? Experimenta começar a namorar e esperar uma looonga semana pra estar junto. Experimenta estar a uma semana do seu casamento. Experimenta estar a uma semana do seu filho nascer. Experimenta estar a uma semana das férias.
Agora experimenta estar a uma semana da volta às aulas. Experimenta estar a uma semana daquela prova importante. Experimenta estar na sua semana rotineira e me diz se quando você vê já não é sexta de novo e você está sentado com os amigos tomando uma cerveja e falando sobre futebol. Ou homens. Ou os dois.
E então? Uma semana é muito ou pouco tempo?
Essa é uma daquelas resposta em que a metade de lá diz á e a metade de cá diz bê.
Mas no que os ás e os bês concordam é que não se pode parar esse senhor. Tentamos escrever nossas experiências, tentamos capturar e segurar o momento em uma foto, tentamos dizer e fazer tudo que achamos que devemos dizer e fazer, mas nunca é o suficiente. Sempre se volta da viagem sentindo falta dessa ou daquela foto. Não escrevemos tanto assim, afinal, e o momento passou e essa ou aquela personagem ficou sem aquele traço e essa ou aquela história ficou sem aquela vírgula que, sabemos, mudaria tudo. Ou não?
Dizer e fazer ou não dizer e não fazer, são outras artimanhas do tempo. Ele nos dá todo seu tempo, esse senhor. E, no fim, não foi quase tempo nenhum. A gente volta pra casa e pensa que poderia ter feito diferente. E se? E se eu tivesse dito sim? Ou tivesse dito não? Ou, por Deus, e se eu tivesse dito QUALQUER coisa?
É, você poderia ter feito diferente, mas amigo, não fique remoendo isso! Não culpe os seus atos e nem culpe o tempo curto demais, porque se você acha que o senhor tempo é o velhinho mais tinhoso, está enganado! O senhor destino pode ser bem pior.
E eles trabalham juntos. É uma parceria de longa data.
O tempo encurta e alonga para que os planos do destino aconteçam.
Então, meu caro, se você não disse, não disse e pronto. Paciência. Se você disse, está dito. E mais paciência ainda!
O que tem que acontecer, vai acontecer!
Diga que ama, diga o que te incomoda, dê socos em quem merece e abraços em quem retribui. Diga que ama quantas vezes te vier na cabeça (e ainda serão poucas) e ame. E não odeie. E ame. E dance na chuva e empurre seus amigos na piscina. E ria. Muito, com todos. E ame. E dê presentes. E dê muito mais sorrisos. E coma doces. E ame. E saia. E se divirta horrores. E compre presentes pra você. E se dê um tempinho. E ame. E se ame!
Sim, é clichê, mas você já sabe que eu gosto disso.
E por que eu gastei um bom tempo desse dia lindo de sol pra escrever isso?
Porque eu quero aproveitar todo o tempo que puder pra dizer o que eu acho que tenha que ser dito e fazer o que eu acho que tenha que ser feito. E, vai, nem foi taanto tempo assim!
O tempo sempre fascinou com aquele fascínio que amedronta.
"O tempo passa rápido demais!" dizem os que querem trabalhar mais, se divertir mais, amar mais."O tempo demora muito a passar!" dizem os que estão cansados do trabalho, da aula, da solidão.
O tempo amedronta na hora do adeus e fascina na hora de um novo 'olá', mostrando que, vai, uma semana (ou quem sabe dois anos) não é tanto tempo assim.
Dois anos não é tanto tempo assim?
Dois anos é tempo pra caramba pra ficar longe de quem se ama.
Dois anos não é taanto tempo assim pra se conhecer alguém.
Dois anos é quase nada para quem faz faculdade de medicina.
Dois anos é tempo que passa rápido demais. Mal as promessas de ano novo são feitas pulando sete ondinhas e já estamos nós de novo no Natal.
E uma semana?
Muitos diriam que dois anos é 'um tempão' e uma semana não é nada.
Não? Experimenta começar a namorar e esperar uma looonga semana pra estar junto. Experimenta estar a uma semana do seu casamento. Experimenta estar a uma semana do seu filho nascer. Experimenta estar a uma semana das férias.
Agora experimenta estar a uma semana da volta às aulas. Experimenta estar a uma semana daquela prova importante. Experimenta estar na sua semana rotineira e me diz se quando você vê já não é sexta de novo e você está sentado com os amigos tomando uma cerveja e falando sobre futebol. Ou homens. Ou os dois.
E então? Uma semana é muito ou pouco tempo?
Essa é uma daquelas resposta em que a metade de lá diz á e a metade de cá diz bê.
Mas no que os ás e os bês concordam é que não se pode parar esse senhor. Tentamos escrever nossas experiências, tentamos capturar e segurar o momento em uma foto, tentamos dizer e fazer tudo que achamos que devemos dizer e fazer, mas nunca é o suficiente. Sempre se volta da viagem sentindo falta dessa ou daquela foto. Não escrevemos tanto assim, afinal, e o momento passou e essa ou aquela personagem ficou sem aquele traço e essa ou aquela história ficou sem aquela vírgula que, sabemos, mudaria tudo. Ou não?
Dizer e fazer ou não dizer e não fazer, são outras artimanhas do tempo. Ele nos dá todo seu tempo, esse senhor. E, no fim, não foi quase tempo nenhum. A gente volta pra casa e pensa que poderia ter feito diferente. E se? E se eu tivesse dito sim? Ou tivesse dito não? Ou, por Deus, e se eu tivesse dito QUALQUER coisa?
É, você poderia ter feito diferente, mas amigo, não fique remoendo isso! Não culpe os seus atos e nem culpe o tempo curto demais, porque se você acha que o senhor tempo é o velhinho mais tinhoso, está enganado! O senhor destino pode ser bem pior.
E eles trabalham juntos. É uma parceria de longa data.
O tempo encurta e alonga para que os planos do destino aconteçam.
Então, meu caro, se você não disse, não disse e pronto. Paciência. Se você disse, está dito. E mais paciência ainda!
O que tem que acontecer, vai acontecer!
Diga que ama, diga o que te incomoda, dê socos em quem merece e abraços em quem retribui. Diga que ama quantas vezes te vier na cabeça (e ainda serão poucas) e ame. E não odeie. E ame. E dance na chuva e empurre seus amigos na piscina. E ria. Muito, com todos. E ame. E dê presentes. E dê muito mais sorrisos. E coma doces. E ame. E saia. E se divirta horrores. E compre presentes pra você. E se dê um tempinho. E ame. E se ame!
Sim, é clichê, mas você já sabe que eu gosto disso.
E por que eu gastei um bom tempo desse dia lindo de sol pra escrever isso?
Porque eu quero aproveitar todo o tempo que puder pra dizer o que eu acho que tenha que ser dito e fazer o que eu acho que tenha que ser feito. E, vai, nem foi taanto tempo assim!
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Como escrever sua própira novela mexicana (qualquer coincidência é mera semelhança!)
Queria deixar claro que essa idéia surgiu em uma madrugada de insônia bem antes d'eu pôr os olhos em "Garotas Que Dizem Ni" (embora agora faça algumas referências às idéias delas) e é uma homenagem a minha querida amiga Conchita.
Antes de mais nada, sua novela tem que ser romântica, trágica e escancaradamente cômica! Nenhum capítulo pode ir ao ar sem conter uns gritos e uns maravilhosos tapas na cara! E a trama tem que, invariavelmente, contar com: uma mocinha muito boa (aquele tipo de gente que não existe); um mocinho-galã de nome duplo que não combina e expressões forçadas; uma vilã que se acha apaixonada pelo mocinho-galã ou quer, pura e simplesmente, se casar com ele; mais um punhado de pequenos vilões e umas duas pessoas que ajudem a mocinha; empregados fofoqueiros e intrometidos; crianças que vão sofrer atentados dos vilões e algum velho doente.
O nome
Você tem que escolher um nome completamente fora de qualquer contexto lógico e grande apelo dramático, como: "Café com aroma de mulher" ou "Direito de nascer". Também pode conter o nome da mocinha ou alguma dificuldade que ela vai passar. (Se você estiver escrevendo como Conchita e eu, seu título deve ser cômico)
A mocinha
Normalmente se chama Maria, mas também recebe nomes de cunho religioso. E sempre, sempre, nome duplo. Se ela tiver uma irmã gêmea, abre-se mão de Maria para usar nomes parecidos (a irmã gêmea sempre se une a vilã, quando não é ela mesma).
A mocinha tem que reunir em si muitas coisas não-apreciadas pelo mocinho-galã até que eles se conhecem em alguma situação clichê como atropelamento, roubo ou esbarrão na esquina e se apaixonam. Ela sempre sofre muito, de acordo com a vontade do nobre autor.
O mocinho-galã
Recebe o nome mais glamouroso da telenovela. Normalmente é algo como Carlos Daniel, Fernando Afonso ou Rogério Henrique. E claro, tem um imponente sobrenome. É muito rico e charmoso, tendo a mulher que quiser. Tem uma ex-namorada ou ex-noiva, que termina quando conhece e se apaixona pela mocinha, que se torna a vilã vingativa.
O mocinho-galã sempre tem amigos que não gostam da mocinha, por ser diferente deles, e recebem nomes que façam o público rir.
A vilã
Sempre uma riquinha-mal-amada-e-solitária que usa o dinheiro para comprar suas amizades e a beleza para trazer os amigos do mocinho-galã pro lado dela e prejudicar a mocinha (sim, a vilã sempre é bonita, rica e sensual, mas não queira o seu papel, pois ela ou morre ou é internada num manicômio enquanto a mocinha bebe uma taça de vinho na cama com o mocinho-galã).
A vilã tem sempre um nome bonito e carrega, assim como o mocinho-galã e seus amigos preconceituosos, um poderoso sobrenome (a menos que seja a gêmea da mocinha).
Os "vilões"
Aspas porque eles não são vilões como a vilã-mal-amada-e-solitária, são apenas pessoas invejosas que, ao mesmo tempo que se sentem atraídos pela adorável mocinha, querem mantê-la longe e, de quebra, prejudicá-la com o mocinho-galã. Aqui estão os amigos-bolhas do mocinho-galã, a irmã gêmea (se não for adepta das maldades pesadas) e os empregados-abusados da família do mocinho-galã.
Os "vilões" sempre recebem apelidos ou nomes simpáticos, como Pepito, e acabam adorando a mocinha no final e ajudando o mocinho-galã a perceber que eles são feitos um para o outro.
A mãe do mocinho-galã
Tende a ficar um pouco insegura ao ver o filho tão apaixonado, mas assim que conhece a mocinha encontra uma ótima pessoa, a norinha que pediu a Deus e passa a ser sua principal aliada contra as forças do mal (haha não resisti).
Ela sempre recebe um nome carinhoso, como Conchita, mas pode, junto com a mocinha, ser muito perigosa.
A família
Do mocinho-galã, claro, uma vez que a mocinha conta apenas com uma irmã, um pai ou uma avó doente (a mocinha nunca tem a mãe para apoiá-la, logo sofre mais).
A família do mocinho-galã não aprova a sua escolha e tende a ficar do lado dos amigos antigos e conhecidos do mocinho-galã, mas aos poucos (ou ao estilo "amor a primeira vista") vai também se apaixonando pelo inegável carisma da mocinha.
Os empregados da família
Sempre são intrometidos e contam tudo que acontece à mãe do mocinho-galã. Alguns se corrompem e ajudam o núcleo da vilania, mas na sua maioria são pessoas boas e a mocinha sempre conta com a ajuda incondicional de uma cozinheira gorda ou um antigo jardineiro da casa.
As crianças
São os filhos do casal e aparecem na parte da telenovela em que finalmente eles percebem que devem ficar juntos (um pouco antes da vilã ter um fim trágico e os amigos aceitarem a mocinha ou sumirem da trama).
Sempre recebem o nome dos pais e também são chamados por apelidos.
Podem também ser irmãos do mocinho-galã, nesse caso são grandes aliados da mocinha desde o início, mas como crianças, vez ou outra caem na lábia dos vilões.
O velho doente
É sempre ligado à mocinha, para ser mais um motivo de sofrimento para a mesma. Pode ser o pai, a avó ou aquele jardineiro antes mencionado. Embora passe o tempo todo muito doente, assiste o casamento da mocinha com o mocinho-galã e não morre, já que aqui o final é sempre feliz.
Antes de mais nada, sua novela tem que ser romântica, trágica e escancaradamente cômica! Nenhum capítulo pode ir ao ar sem conter uns gritos e uns maravilhosos tapas na cara! E a trama tem que, invariavelmente, contar com: uma mocinha muito boa (aquele tipo de gente que não existe); um mocinho-galã de nome duplo que não combina e expressões forçadas; uma vilã que se acha apaixonada pelo mocinho-galã ou quer, pura e simplesmente, se casar com ele; mais um punhado de pequenos vilões e umas duas pessoas que ajudem a mocinha; empregados fofoqueiros e intrometidos; crianças que vão sofrer atentados dos vilões e algum velho doente.
O nome
Você tem que escolher um nome completamente fora de qualquer contexto lógico e grande apelo dramático, como: "Café com aroma de mulher" ou "Direito de nascer". Também pode conter o nome da mocinha ou alguma dificuldade que ela vai passar. (Se você estiver escrevendo como Conchita e eu, seu título deve ser cômico)
A mocinha
Normalmente se chama Maria, mas também recebe nomes de cunho religioso. E sempre, sempre, nome duplo. Se ela tiver uma irmã gêmea, abre-se mão de Maria para usar nomes parecidos (a irmã gêmea sempre se une a vilã, quando não é ela mesma).
A mocinha tem que reunir em si muitas coisas não-apreciadas pelo mocinho-galã até que eles se conhecem em alguma situação clichê como atropelamento, roubo ou esbarrão na esquina e se apaixonam. Ela sempre sofre muito, de acordo com a vontade do nobre autor.
O mocinho-galã
Recebe o nome mais glamouroso da telenovela. Normalmente é algo como Carlos Daniel, Fernando Afonso ou Rogério Henrique. E claro, tem um imponente sobrenome. É muito rico e charmoso, tendo a mulher que quiser. Tem uma ex-namorada ou ex-noiva, que termina quando conhece e se apaixona pela mocinha, que se torna a vilã vingativa.
O mocinho-galã sempre tem amigos que não gostam da mocinha, por ser diferente deles, e recebem nomes que façam o público rir.
A vilã
Sempre uma riquinha-mal-amada-e-solitária que usa o dinheiro para comprar suas amizades e a beleza para trazer os amigos do mocinho-galã pro lado dela e prejudicar a mocinha (sim, a vilã sempre é bonita, rica e sensual, mas não queira o seu papel, pois ela ou morre ou é internada num manicômio enquanto a mocinha bebe uma taça de vinho na cama com o mocinho-galã).
A vilã tem sempre um nome bonito e carrega, assim como o mocinho-galã e seus amigos preconceituosos, um poderoso sobrenome (a menos que seja a gêmea da mocinha).
Os "vilões"
Aspas porque eles não são vilões como a vilã-mal-amada-e-solitária, são apenas pessoas invejosas que, ao mesmo tempo que se sentem atraídos pela adorável mocinha, querem mantê-la longe e, de quebra, prejudicá-la com o mocinho-galã. Aqui estão os amigos-bolhas do mocinho-galã, a irmã gêmea (se não for adepta das maldades pesadas) e os empregados-abusados da família do mocinho-galã.
Os "vilões" sempre recebem apelidos ou nomes simpáticos, como Pepito, e acabam adorando a mocinha no final e ajudando o mocinho-galã a perceber que eles são feitos um para o outro.
A mãe do mocinho-galã
Tende a ficar um pouco insegura ao ver o filho tão apaixonado, mas assim que conhece a mocinha encontra uma ótima pessoa, a norinha que pediu a Deus e passa a ser sua principal aliada contra as forças do mal (haha não resisti).
Ela sempre recebe um nome carinhoso, como Conchita, mas pode, junto com a mocinha, ser muito perigosa.
A família
Do mocinho-galã, claro, uma vez que a mocinha conta apenas com uma irmã, um pai ou uma avó doente (a mocinha nunca tem a mãe para apoiá-la, logo sofre mais).
A família do mocinho-galã não aprova a sua escolha e tende a ficar do lado dos amigos antigos e conhecidos do mocinho-galã, mas aos poucos (ou ao estilo "amor a primeira vista") vai também se apaixonando pelo inegável carisma da mocinha.
Os empregados da família
Sempre são intrometidos e contam tudo que acontece à mãe do mocinho-galã. Alguns se corrompem e ajudam o núcleo da vilania, mas na sua maioria são pessoas boas e a mocinha sempre conta com a ajuda incondicional de uma cozinheira gorda ou um antigo jardineiro da casa.
As crianças
São os filhos do casal e aparecem na parte da telenovela em que finalmente eles percebem que devem ficar juntos (um pouco antes da vilã ter um fim trágico e os amigos aceitarem a mocinha ou sumirem da trama).
Sempre recebem o nome dos pais e também são chamados por apelidos.
Podem também ser irmãos do mocinho-galã, nesse caso são grandes aliados da mocinha desde o início, mas como crianças, vez ou outra caem na lábia dos vilões.
O velho doente
É sempre ligado à mocinha, para ser mais um motivo de sofrimento para a mesma. Pode ser o pai, a avó ou aquele jardineiro antes mencionado. Embora passe o tempo todo muito doente, assiste o casamento da mocinha com o mocinho-galã e não morre, já que aqui o final é sempre feliz.
terça-feira, 3 de junho de 2008
O que todo pretenso, jovem e inteligente escritor deve saber sobre clichês e abiu
O papai diz que clichê é uma "frase ou idéia banalizada por repetição excessiva" e também "lugar-comum". Logo, se é lugar-comum, vamos acabar sempre nele.
A regra mais importante ao lidar com clichês é: Não fuja deles. Não adianta nem tentar, você pode corrar, mas não pode se esconder. Sim, eles vão te encontrar até mesmo lá.
A segunda regra mais importante ao lidar com clichês é: não caia no erro de achá-los banais (banal: sem originalidade; vulgar, corriqueiro).
Sim, clichês não são originais, mas o que é original? Que atire a primeira pedra quem tiver em mãos algo super inovador, nunca escrito antes de você colocar pra fora. E que me atire um avião quem não utiliza "frases feitas" ou bordões ou qualquer outra coisa que seja da família dos clichês.
Falamos clichês, vemos clichês em filmes (aliás, as fórmulas de filmes já são clichês quase em forma puríssima), lemos clichês em crônicas atuais e contos de anos atrás.
Será que somos todos clichês? ...
Não resisti, mas já parei.
Já que temos que conviver com clichês e usá-los, façamos direito. Goste dos seus clichês, trate-os bem, mude-os como queira e misture-os à vontade. Coisas ótimas vão aparecer (ou o bolo pode solar).
Ah, claro! Esqueci do abiu.
Abiu é um fruto que tem forma e tamanho de um ovo de galinha comum e tem a superfície lisa, amarela e brilhante. Sua polpa é esbranquiçada e muito doce, excelente contra infecções pulmonares ou pessoas desnutridas.
E eu nunca vi, nem comi, só ouvi falar.
A regra mais importante ao lidar com clichês é: Não fuja deles. Não adianta nem tentar, você pode corrar, mas não pode se esconder. Sim, eles vão te encontrar até mesmo lá.
A segunda regra mais importante ao lidar com clichês é: não caia no erro de achá-los banais (banal: sem originalidade; vulgar, corriqueiro).
Sim, clichês não são originais, mas o que é original? Que atire a primeira pedra quem tiver em mãos algo super inovador, nunca escrito antes de você colocar pra fora. E que me atire um avião quem não utiliza "frases feitas" ou bordões ou qualquer outra coisa que seja da família dos clichês.
Falamos clichês, vemos clichês em filmes (aliás, as fórmulas de filmes já são clichês quase em forma puríssima), lemos clichês em crônicas atuais e contos de anos atrás.
Será que somos todos clichês? ...
Não resisti, mas já parei.
Já que temos que conviver com clichês e usá-los, façamos direito. Goste dos seus clichês, trate-os bem, mude-os como queira e misture-os à vontade. Coisas ótimas vão aparecer (ou o bolo pode solar).
Ah, claro! Esqueci do abiu.
Abiu é um fruto que tem forma e tamanho de um ovo de galinha comum e tem a superfície lisa, amarela e brilhante. Sua polpa é esbranquiçada e muito doce, excelente contra infecções pulmonares ou pessoas desnutridas.
E eu nunca vi, nem comi, só ouvi falar.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
A grama do vizinho é sempre mais verde??
Ele saiu como se não tivesse entrado. Se não fosse uma pequena variação de humor percebida apenas por poucos mais íntimos, todos diriam que ele não chegou a entrar. Mas entrou e ficou lá dentro um tempo que talvez não tenha sido suficiente ou suficientemente bom para fazê-lo ficar ou ao menos sair um pouco mais penosamente. Saiu e resolveu esquecer que tinha entrado. Era melhor assim. Ele não era um cara que aceitasse sofrer e ainda mais por ela.
Ela? Ela ficou lá. Não teve coragem de sair. Já tinha esquecido como era o mundo lá fora. Se sentia fraca, desprotegida e muito despreparada. Ficou. Mas era triste demais, solitário demais, estar sozinha num lugar para dois é duplamente mais complicado do que dividir uma cama para um com um outro. Várias pessoas que gostavam dela tentaram ajudar pela janela, não podiam entrar num lugar que tinha o tamanho de outra pessoa. Feito na medida certa (para a pessoa errada?) e agora sobrava um espação. Ou faltava? É, faltava alguma coisa. Ela rondou e rondou a porta depois de quase súplicas dos prezados amigos. Resolveu sair. Meses (ou teriam sido apenas minutos?) depois a porta se abriu de novo. Não foi como da primeira vez, de uma maneira quase fugitiva e secreta, foi com um receio de não conseguir e várias mãos esperando. E então ela também saiu. Sentiu o calor do sol de novo no seu rosto e o vento que levantava a saia fresquinha de verão. Sentiu todo o calor humano que esperava por ela de queridos amigos e de queridos desconhecidos que ia conhecer por aí. Saiu levando com ela nenhum móvel, mas todo o amor que houver nessa vida que eles juntaram lá dentro, do qual ele não levou, infelizmente, nada.
Olhou pra trás, para a casa tão bem cuidade durante tanto tempo, para a casa que se pudesse falar contaria coisas lindas e tristes, para a casa que ela estava deixando de vez para trás.
Ele, que já estava em outra casa nas redondezas, assistiu assustado, de uma janela apertada, a sua saída, que estava pegando-o totalmente desprevinido, pois esperava vê-la sempre abrindo as janelas, arrumando a casa que já não mais frequentava, cuidando sozinha de um amor que deveria estar esperando, quietinho, pela sua volta.
Ela sabia que ele estava olhando e que olharia por mais algum tempo das janelas (aliás, incomparáveis com as dela) da outra casa, mas não se importou. Nem com ele, nem com a casa.
Olhou mais uma vez para sua antiga casa, suspirou, fechou os olhos e respirou bem fundo para guardar tudo que era bom, soltando depois, entre risadas, tudo de ruim que ela não queria levar.
Abriu os olhos e sorriu. Sorriu para a alegre nova vida que a esperava e para as novas casas que viriam por aí e para aquela casa, que ela não conhecia ainda, mas sabia que na hora certa iria entrar pela porta principal para não mais sair.
Ela? Ela ficou lá. Não teve coragem de sair. Já tinha esquecido como era o mundo lá fora. Se sentia fraca, desprotegida e muito despreparada. Ficou. Mas era triste demais, solitário demais, estar sozinha num lugar para dois é duplamente mais complicado do que dividir uma cama para um com um outro. Várias pessoas que gostavam dela tentaram ajudar pela janela, não podiam entrar num lugar que tinha o tamanho de outra pessoa. Feito na medida certa (para a pessoa errada?) e agora sobrava um espação. Ou faltava? É, faltava alguma coisa. Ela rondou e rondou a porta depois de quase súplicas dos prezados amigos. Resolveu sair. Meses (ou teriam sido apenas minutos?) depois a porta se abriu de novo. Não foi como da primeira vez, de uma maneira quase fugitiva e secreta, foi com um receio de não conseguir e várias mãos esperando. E então ela também saiu. Sentiu o calor do sol de novo no seu rosto e o vento que levantava a saia fresquinha de verão. Sentiu todo o calor humano que esperava por ela de queridos amigos e de queridos desconhecidos que ia conhecer por aí. Saiu levando com ela nenhum móvel, mas todo o amor que houver nessa vida que eles juntaram lá dentro, do qual ele não levou, infelizmente, nada.
Olhou pra trás, para a casa tão bem cuidade durante tanto tempo, para a casa que se pudesse falar contaria coisas lindas e tristes, para a casa que ela estava deixando de vez para trás.
Ele, que já estava em outra casa nas redondezas, assistiu assustado, de uma janela apertada, a sua saída, que estava pegando-o totalmente desprevinido, pois esperava vê-la sempre abrindo as janelas, arrumando a casa que já não mais frequentava, cuidando sozinha de um amor que deveria estar esperando, quietinho, pela sua volta.
Ela sabia que ele estava olhando e que olharia por mais algum tempo das janelas (aliás, incomparáveis com as dela) da outra casa, mas não se importou. Nem com ele, nem com a casa.
Olhou mais uma vez para sua antiga casa, suspirou, fechou os olhos e respirou bem fundo para guardar tudo que era bom, soltando depois, entre risadas, tudo de ruim que ela não queria levar.
Abriu os olhos e sorriu. Sorriu para a alegre nova vida que a esperava e para as novas casas que viriam por aí e para aquela casa, que ela não conhecia ainda, mas sabia que na hora certa iria entrar pela porta principal para não mais sair.
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